Poesia e historinhas

  • VOYAGER GOLDEN RECORD

    A agulha retoma sua rota: doze polegadas. Lambe cobre, lambe ouro e toca: “Greetings To The Universe”.

     

    Quando começou sua jornada, a sonda, era apenas um pedacinho muito pequeno entre coisas gigantíssimas. Encontrou pistas no sol, nas montanhas e no desenho do litoral. Foi subindo... até ler em pó de estrela.

     

    Ultrapassou a heliosfera e ficou muito satisfeita. Viu o sol mais de perto e a lua de pertíssimo. E viu a terra azul de longe, lá onde a luz é lembrança.

     

    Então sentiu frio na agulha. De impulso mais um giro, e cantou: “We Step Out Of Our Solar System Into The Universe Seeking Only Peace”.

     

    Mais uma vez as esferas, os vulcões e as hienas. Trator e trem, um longo relincho para o espaço interestelar.

     

    De Netuno a Plutão: Tem Alguém Aí?

     

    Nenhum som, nenhum amigo acenando em dedos, nem harpa. Nenhum cheiro sequer.

     

    Distante então tremeu. Tocou em milésimos de outro tempo e rodou tão rápido que foi como uma visão que a gente acha que não teve.

     

    Depois mais nada.

     

    A linguagem é mesmo uma coisa estranha.